14/12/2014

Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho...

Desde que ouvi Velha e Louca da Mallu Magalhães pela primeira vez, me senti acolhida. Não vou dizer que me identifiquei completamente e que "eu poderia ter escrito essa letra" porque eu ainda não cheguei lá. Mas quero chegar.


Sempre me preocupei mais com a opinião alheia do que eu gostaria. Como todo mundo, fui uma criança bastante original, moldada aos poucos pela sociedade cheia de regras sobre como eu deveria ser e me portar. Mais tarde, fui uma adolescente confusa, perdida entre o desejo de ser ela mesma - sem nem saber quem era de verdade - e ser aceita por grupos de pessoas totalmente diferentes e que, muitas vezes, me cobravam comportamentos opostos. Hoje, recém-adulta, bem mais consciente de mim mesma, sei que é impossível agradar a todos e que não é nada saudável tentar. Quero ser fiel a mim mesma. Faço questão de ser fiel a mim mesma. Apesar disso, reconheço que é bastante difícil - especialmente para uma mulher.

Sendo assim, comemoro cada pequena rebeldia. Comemoro sair de batom vermelho às duas da tarde sem me preocupar com o que as pessoas vão pensar ou dizer. Comemoro escolher o vestido que a moça da loja não queria me mostrar porque não considerava adequado para a minha festa de formatura (mas a festa não é minha?). Comemoro ter escolhido o curso que queria, mesmo desencorajada por quem achava que eu não daria conta. Comemoro usar meu cabelo natural, assistir aos mesmos filmes toscos dezenas de vezes, comer pizza no café da manhã, manter um blog, sair de casa de chinelo, comprar McLanche Feliz, ignorar conselho de gente intrometida que não sabe nada sobre mim...

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom

Pode falar que nem ligo
Agora eu sigo
O meu nariz
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca