27/11/2014

Borboletas no estômago

Esse final de semestre está sendo atípico. Ao contrário dos outros nove, em que "sobrecarregada" se tornava a melhor (e não mais polida) resposta para o "como você vai?", o décimo final de semestre da minha graduação não tem tantas aulas, provas e trabalhos, mas tem uma carga muito maior de estresse e ansiedade do que todos os outros.

No final de janeiro, eu me formo com pompa e circunstância, com discursos e fotos, lágrimas e festas cheias de uma ostentação que não faz parte do meu dia-a-dia (mas que provavelmente está mais presente no cotidiano dos colegas mais abastados). Em alguns momentos, me arrependo de ter querido participar da formatura da minha turma e penso se eu não deveria ter poupado o dinheiro e o tempo dos meus pais e dos meus convidados, optando apenas pela colação de grau. (Imagino-me sentindo deslocada na minha própria formatura, embora eu me recorde de ter me sentido bem quando confundida com os formandos no jantar do meu namorado.) Em outros momentos, entretanto, acho que mereço a pompa, o brilho e o champagne, afinal, não tenho planos de ter outra festa desse tipo na minha vida, centrada, de certa forma, em mim. Eu não tive baile de debutante (porque não quis) e, muito provavelmente, não vou ter festa de casamento (porque não vou querer). Não gosto de ser o centro das atenções (sou tímida) e a vantagem da formatura é que só o serei na minha mesa. Além disso, acredito que a vida deva ser celebrada (não necessariamente assim) e que cada conquista, mesmo que mínima, mereça ser comemorada. Assim, faz muito sentido fazer parte de uma festa que pretende, afinal, celebrar essa conquista importante nas vidas minha e de meus colegas.

Talvez eu pense demais.

Paralelamente a esses questionamentos, eu tenho que me organizar, afinal, independente da conclusão a qual eu chegar, eu já tomei minha decisão. São convidados, hotel, logística, cabelo, maquiagem, roupa e um monte de coisa com a qual minha experiência é ridiculamente pequena. Eu adoraria ser uma dessas pessoas que simplesmente vão lá e fazem as coisas, mas sou ansiosa demais para simplificar qualquer processo. Tenho que sofrer em cada decisão, e tem que ser por antecipação e durante muito tempo, senão não seria eu.

Apesar disso, se meu único "problema" fosse a formatura, eu estaria muito bem, obrigada. Mas não é possível estar assim quando sua vida está prestes a mudar. Acredito que são poucos os seres iluminados que não se sintam nem um pouco inseguros em um momento de transição. Além disso, não é como se meu final de semana de formanda marcasse o final da minha graduação. Optei por participar da festa da minha turma, mas só me formarei de fato no meio ou no final de 2015 (como a maioria dos meus colegas, inclusive). Ainda tenho créditos a cumprir, estágio para fazer e meu TCC se estenderá por mais alguns meses. A procura por estágio tem sido extremamente frustrante porque meu horário (sempre) complicado me impede de estagiar em outra cidade e reduz demais as possibilidades. Fui "rejeitada" por duas empresas após análise de currículo e disponibilidade de horário e posso dizer com convicção que isso doeu mais que qualquer rejeição que eu possa ter sofrido na vida. (Nenhum toco doeu tanto quanto "Prezada Daniela, agradecemos seu interesse na empresa X, mas...") Além disso, a dor de ser rejeitada é muito maior que a alegria de ser chamada para uma próxima etapa de um processo seletivo porque #soudessas (todos somos, eu acho). Meu otimismo é frágil e qualquer dificuldade é motivo para que eu me desespere e ache que está tudo perdido. Ao receber um dos e-mails de rejeição, minha sensação foi de que eu ficaria desempregada para sempre e de que todo esse esforço quase homérico que fiz para chegar aqui foi em vão.

Eu sei que tudo isso vai parecer muito dramático e exagerado para algumas pessoas. (E provavelmente é.) Eu sei também que esses sentimentos todos estão sendo potencializados por eu estar passando por essa fase de questionar toda a minha vida tentando sair do piloto automático. Eu sei que tudo isso vai passar conforme as coisas forem acontecendo. (Aliás, já está passando.) Eu também sei que, junto a essa ansiedade negativa, há uma ansiedade boa. As borboletas no estômago que me dizem que tudo pode dar errado, também dizem que eu vou ter um lindo final de semana de formanda, ao lado de gente que amo, celebrando a coisa mais foda que fiz na minha vida e da qual eu tenho um orgulho imenso. Elas também dizem que, se eu dei conta de chegar até aqui, é claro que vou dar conta de terminar e apresentar um bom TCC (até porque tenho uma orientadora ótima e muito querida) e de arranjar um bom estágio e, futuramente, um bom emprego. Meu lado otimista e pollyânico (?) me lembram que eu também fiquei ansiosa em meio à maratona de vestibulares e, no final, tudo deu (muito) certo. De qualquer forma, acho que borboletas estomacais dessas dimensões merecem menção no blog e vim registra-las.