30/07/2014

52 semanas: coisas que me incomodam no mundo contemporâneo

Esse post faz parte do desafio 52 semanas. Para entender melhor do que se trata, clique aqui.

Primeiramente: não posto nada do 52 semanas há mais de um mês e sinto muito por deixar a tag desatualizada. A princípio, eu estava focada em terminar meu semestre e, mais tarde, em fazer tudo o que havia planejado para essas férias. Além disso, quis priorizar outras ideias de posts que achei mais interessantes. Mas, agora, cá estou eu voltando minhas atenções para esse meme gigantesco graças à Mandy, que postou, esses dias, sobre as coisas que lhe incomodam no mundo contemporâneo (parte desse meme), me deixando com vontade de escrever sobre o assunto também.

Se você já escreveu sobre esse tema, por favor, me deixe o link nos comentários para que eu possa ler. Se não, não deixe de comentar o que te incomoda nesse nosso adorável e irritante mundo de hoje.

Me too, Dumbie.

Coisas que me incomodam no mundo contemporâneo


A cobrança para sermos supermulheres
As leitoras desse blog certamente sabem do que eu estou falando (e se não sabem, logo saberão): nós sofremos muita pressão para sermos perfeitas em absolutamente todos os aspectos da nossa vida. A sociedade nos cobra das mais diversas formas que pareçamos com as modelos das revistas, mas que sejamos gostosas como Panicats; que sejamos recatadas, mas ótimas na cama; que não finjamos orgasmos, mas que não gostemos muito de sexo; que sejamos excelentes profissionais, mas que não ganhemos mais que nossos companheiros; que formemos uma família de comercial de margarina, com papai, mamãe e filhinho(s); que mantenhamos nossa casa impecável com apenas uma ajuda conquistada com muito jeitinho do marido; entre tanta coisa. É muito estressante viver sob tanta pressão, principalmente quando não nos encaixamos em nenhum padrão. Eu só queria poder ser eu mesma em paz, sem julgamentos e sem cobranças.

O culto ao "estar ocupado"
Quantas vezes você não ouviu alguém dizer com orgulho, mesmo que disfarçado, que anda muito ocupado? Quantas vezes você mesmo não fez isso? Eu já o fiz várias vezes e já me senti mal outras tantas por não poder dizer isso. Cultuamos o "estar ocupado" e isso é muito nocivo. Vemos com maus olhos quem aparenta estar "à toa" e colocamos muita pressão sobre nossos próprios ombros de que devemos estar sempre fazendo alguma coisa. Desaprendemos a descansar, queremos ser produtivos até no nosso tempo livre. Por isso, somos uma população cada vez mais estressada, cansada e doente. Estamos mais chatos e menos criativos.

O excesso de informação
Procuramos estar ocupados o tempo inteiro porque é algo que a sociedade valoriza e conseguimos porque, entre outras coisas, temos muita informação disponível. Conteúdo é criado aos montes diariamente na Internet, inclusive por nossos familiares, amigos e conhecidos em suas páginas nas redes sociais. Temos blogs, portais, jornais, revistas, vídeos no YouTube, programas de TV, filmes, seriados, músicas, etc. Com a tecnologia, ficou muito mais fácil criar e consumir informação. Se isso, por um lado, é maravilhoso, por outro, é extremamente estressante. Queremos ler, ouvir e assistir tudo o que nos interessa em algum nível e isso é impossível. Não dá para acompanhar as atualizações de todos nossos amigos em todas as redes sociais. Não dá para ler todos os posts de todos os blogs que gostamos. Não dá para ler todas as notícias sobre os assuntos que nos interessa, nem mesmo sobre aqueles que são relevantes e que sentimos obrigação de saber. Não dá para ouvir todas as músicas dos artistas que curtimos, muito menos assistir a todos os clipes. Não dá para assistir a todos os vídeos dos canais que assinamos no YouTube, nem mesmo a todos os vídeos virais. Não dá para acompanhar todos os seriados que nos chamaram a atenção, muito menos a todos os filmes. Não dá para ir ao cinema toda semana. É frustrante.

A obsolescência programada e obsolescência percebida
Se você assistiu ao fantástico vídeo A História das Coisas, já conhece esses termos. A obsolescência programada se refere àqueles produtos que já são projetados para se tornarem obsoletos em pouco tempo. Se você comprou um celular, por exemplo, e ele pifou em apenas dois anos de uso, é provável que ele tenha sido desenvolvido para durar apenas por esse período, para que você tenha que comprar um novo aparelho. Muitos produtos são desenhados para que não possam ser consertados ou para que parem de funcionar misteriosamente depois de certo tempo de uso. A obsolescência percebida é quando um produto se torna obsoleto não porque ele não funciona mais, mas porque ele não está mais "na moda". Quem nunca se desfez de um celular perfeitamente bom porque ele era um "tijolão"? Hoje carregamos celulares com telas de 5 polegadas por aí sem se importar com o tamanho. É uma questão de marketing. Isso também explica parte do vai-e-vem da moda. Lembra quando camisa xadrez se tornou "brega" e você trocou as suas por outras peças? Lembra que, algum tempo depois, elas voltaram a ser tendência e você comprou novas? Esses são apenas alguns exemplos. Acredito que você tenha pensado em muitos outros. Acho que não preciso discorrer sobre como isso tudo é muito ruim. Além de me sentir manipulada, sinto-me mal pelo imenso impacto ambiental que isso causa.


A construção de personagens nas redes sociais
Eu estou na Internet há tempo o suficiente para compreender que temos um "eu real" e um "eu virtual". Só que nosso "eu internético", penso eu, deveria ser uma parte do nosso "eu real". Nas redes sociais e na blogosfera, eu exponho parte de mim, a parte que eu quero, mas uma parte completamente verdadeira. Uns se expõem mais, outros menos e eu não estou aqui para julgar. O que me incomoda muito é que muita gente faz do seu "eu virtual" um personagem que, muitas vezes, tem pouco a ver com sua personalidade verdadeira. Para mim, o bacana das redes sociais é interagir com as pessoas e é isso que eu quero: interagir com pessoas, não com personagens.
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