27/11/2013

Um pouco de gratidão

Tirinha do maravilhoso Liniers.
Hoje, caminhando de volta para casa após mais um longo e cansativo dia de aula, em pleno final de semestre, com mil problemas na cabeça, fiquei repentinamente de bom humor. Acreditem, não era algo que eu esperava. Normalmente, sou mal humorada e ansiosa, sofro por antecipação, faço tempestade em copo d’água e fico muito pior nessa época do ano. Confesso. Mas, naquele momento, eu não conseguia pensar em nenhum problema. Curti aquele “passeio” de poucos minutos, as ruas do meu bairro, o sol que ainda brilhava no céu e o ventinho gostoso que soprava amenizando o calor.

Esse raro momento de bom humor foi por conta do tempo, que estava exatamente como eu gosto, e confirma a minha teoria de que meu humor depende mais do clima do que eu gostaria. Mas, além disso, foi muito auspicioso. Como eu disse, sou mal humorada, ansiosa e dramática. Não me orgulho dessas características e adoraria ser uma pessoa mais calma e bem humorada, otimista na medida certa e grata. Li na Vida Simples do mês passado uma crônica muito boa de Eugenio Mussak sobre gratidão* e fiquei querendo ser uma pessoa mais grata.

Quando lia sobre o assunto, sempre o relacionava à religião, ser grato a um deus, a uma divindade, a alguém pelas coisas boas que se tem. Sou grata às pessoas ao meu redor pelo que fazem por mim, mas não sabia como ser grata sem direcionar esse sentimento a alguém. No texto, Eugenio diz: “Gratidão a quem? A Deus? À vida? Não importa. O importante é a gratidão. Ela engrandece quem a sente e dará um jeito de atingir seu alvo.

Desde então, tenho querido sentir gratidão. Racionalmente, pensando friamente no que tenho e onde estou, eu sabia que tinha razões de sobra para ser grata, mas isso não vinha como um sentimento, apenas como uma constatação. Hoje, numa caminhada rotineira de poucos minutos, creio ter encontrado esse sentimento tão simples e tão poderoso justamente por motivos tão singelos. Ao chegar em casa, me detive na “garagem” por alguns minutos olhando para o meu redor. A vista aqui é muita boa. Consigo ver boa parte do meu bairro e tenho uma excelente visão do campus 1 da USP. Me peguei agradecendo pela vida que tenho hoje; pela cidade, pelo bairro e pelo apartamento onde vivo; pela casa para onde volto nos finais de semana; pela oportunidade de estudar aqui; pelos meus pais; por todas as pessoas bacanas que conheci aqui; pelas pessoas de quem sinto saudades; pelo Lu; e até pela minha vida “virtual”, o blog, a 21, e os amigos que conheci por conta deles. Agradeci também por, finalmente, ser capaz de sentir gratidão.

Acredito que eu estava precisando disso. Esse semestre tem sido muito difícil para mim, não só pela faculdade. Por diversos momentos, me peguei pensando se era aqui mesmo que eu gostaria de estar, se eu não vinha empurrando minha vida com a barriga, se eu não estava acomodada demais para mudar. Esse sentimento de gratidão me fez ver que sim, estou aqui porque quero estar, porque cheguei até aqui, porque mereço estar aqui. Esse sentimento me fez perceber que eu realmente amo as pessoas ao meu redor, por mais que a convivência torne toda e cada relação mais complicada.

Estou muito feliz e verdadeiramente grata e creio que precisava tirar alguns minutinhos para compartilhar isso com vocês, que fazem parte também disso tudo. Nesse caso, aproveito para agradecer a todos que lerem esse texto, leitores do blog, amigos, namorado, cúpula do mal, pai e mãe: obrigado por fazerem parte da minha vida.

* UPDATE: esse texto de Eugenio Mussak está disponível no site, cliquem aqui para ler.