07/08/2013

Fazendo as pazes com o Facebook



Muito tem se teorizado em cima das redes sociais. Geralmente, acho um saco esses textos que tentam fazer profundas análises antropológicas e psicológicas do tema. Para a maioria deles, meu comentário é uma frase de Freud: "às vezes, um charuto é apenas um charuto".

Em geral, sou pragmática. Ou melhor, tento ser pragmática. Algumas pessoas veem isso como algo ruim, mas eu vejo como algo bom (quase sempre). Meu pragmatismo, em geral, está relacionado ao minimalismo. Tenho tentado ser mais minimalista em algumas áreas da minha vida porque o considero um estilo de vida muito interessante, principalmente para quem quer viver de forma leve, simples e organizada. (Dia desses, escrevi um pouco sobre o assunto na Revista 21.)

Mas no meio do caminho, tinha uma rede social. Tinha um Facebook no meio do caminho.

Eu adoro redes sociais. Meu primeiro contato com elas foi através do Orkut em 2003. Desde então, conheci muitas outras redes, fiz diversos perfis. Muitos não duraram muito. Como eu disse, eu tento ser pragmática e minimalista, então, se não faço uso de uma rede, tendo a excluir o meu perfil. Foi assim com o Tumblr, o We Heart It, o Last FM, o Get Glue, entre outras. Em geral, tento manter o mínimo de perfis possível porque, querendo ou não, mantê-los demanda atenção, energia e tempo.

Hoje, a grande sanguessuga dessas três coisas é o Facebook. Eu tenho meu perfil há alguns anos já. Inicialmente, ele servia apenas para jogar FarmVille, Cafe World e outros joguinhos. Desde o início, eu gostei da rede social por ser mais organizada e dinâmica do que o Orkut. O grande problema era a falta de usuários: quando fiz meu perfil, mal consegui adicionar mais de dez pessoas, todos amigos virtuais e blogueiros. Com o tempo, as pessoas começaram a descobrir o Facebook e, motivados por uma intensa piora no Orkut (em vários sentidos), migraram seus perfis e suas atenções. Como eu disse, é uma rede mais organizada e dinâmica, por isso tantas pessoas se "viciam", perdendo horas no site e ficando ansiosas por notificações.

De certa forma, o "vício" alheio me acalma ao perceber que eu não sou a única "vítima" e que todos nós estamos sujeitos aos encantos (ou não) do Facebook. Porém, o fato de eu saber ser algo normal, não quer dizer que seja algo que eu quero para mim. A rede já me fez perder muito tempo e me tirou o foco de coisas verdadeiramente - ou pelo menos, mais - importantes. Já estudei menos do que deveria por conta de suas distrações. Já deixei de escrever posts no blog pela possibilidade de abordar o assunto menos profundamente e muito mais rapidamente por lá. Já dei menos atenção do que deveria para as pessoas por estar conectada. E, por fim, desperdicei bastante tempo que poderia ter sido utilizado de outras formas, talvez não mais úteis, porém mais agradáveis.

A perda de tempo que o Facebook causa não é apenas por passarmos muito tempo no site, mas também pelo excesso de conteúdo inútil. Temos muitos "amigos", curtimos muitas páginas e nossas timelines são muito cheias. É impossível ler todas as publicações, mas é muito incômodo deixar de tentar, parece sempre que estamos perdendo algo. Na verdade, não estamos. Boa parte do que é publicado, escrito e compartilhado no Facebook é informação inútil.

Como se isso não bastasse, o Facebook também é cheio de conteúdo não só inútil, mas também desagradável. Esse conceito varia, claro. O que me desagrada pode não te incomodar e vice e versa. Em geral, esse tipo de coisa lota os comentários de fanpages famosas, com muitos seguidores. São os lugares favoritos dos haters. Nos perfis de nossos amigos, é menos frequente, mas também acontece. No meu caso, me decepcionei com muita gente de quem eu gostava, mas que postava um conteúdo duvidoso (eufemismo detected).

Percebi, então, que o meu maior problema com o Facebook não era usar a rede em excesso. Cometer facebookcídio (deletar o perfil) não resolveria nada. Usar menos a rede, talvez, mas não era uma opção que eu, blogueira e internauta alucinada, queria abraçar. Pelo menos não radicalmente. (Estou, sim, aos poucos, reduzindo minhas horas no Facebook, bem como reduzindo minhas horas ao computador e mesmo conectada à internet pelo celular ou tablet, mas isso é assunto para outro post.)

O meu grande problema é que eu perdia tempo com algo desagradável. Ao invés de me informar, me comunicar com meus amigos e me divertir, eu me irritava e me decepcionava com as pessoas. Minha primeira atitude foi começar a me esforçar para não ler os comentários de fanpages - e se ler, que eu respire e conte até dez, feche a página e bola pra frente. Inclusive, falei um pouco sobre isso aqui.

Minha segunda atitude libertadora veio depois de ter lido esse artigo. Se você também tem estado de mal com o Facebook, recomendo a leitura. Eu não fiz tudo exatamente igual ao autor do texto, até porque meu maior problema é com o excesso de conteúdo inútil. Segui seu exemplo:
"A primeira coisa que eu fiz foi parar de seguir tudo e todos. Isso é algo desumano e inútil. Apenas causa frustração diária. Entenda, deixar de seguir alguém não significa que você não gosta mais daquela pessoa. Já o fato de seguir, significa que o assunto que ela compartilha deveria te interessar."
Vladimir Campos
Simples assim. Precisamos entender a diferença de "ser amigo" (no Facebook) e seguir. Eu já havia "desassinado" o feed de algumas pessoas, mas foram bem poucas, aquelas que me incomodavam num nível infinito. Mesmo assim, eu sentia um pouco de culpa. Hoje, não. Eu paro de seguir sem dó nem piedade, até porque ninguém vai ficar sabendo e isso não significa que eu não goste da pessoa. Inclusive, parar de seguir algumas pessoas foi bastante saudável para mim e para meu relacionamento com elas. Como eu disse, me decepcionei com muita gente por conta de suas publicações.

Não fui radical ao ponto de deixar de seguir quase todo mundo. Também não me dei ao trabalho de visitar perfil por perfil analisando (ainda). Por enquanto, o que tenho feito é lido meu feed normalmente, até encontrar alguém (ou mesmo uma página) que não desejo seguir mais. Entro no perfil e desmarco a opção "mostrar no feed de notícias". Sei que agora existem outras opções mais específicas, mas não costumo usa-las.

Estou fazendo isso há cerca de dois meses e já notei uma mudança significativa no meu Facebook. Estamos de bem novamente. Ainda pretendo tirar um tempinho para fazer um declutter geral: nos amigos, nas páginas, nos aplicativos, etc. Mas, por enquanto, estou bastante satisfeita.

Recomendo muito a leitura do artigo. Também acho interessante analisar nossa relação com as redes sociais - não só o Facebook - e tentar torna-la mais agradável e útil. E, se ao fizer isso, vocês pararem de me seguir, eu as entenderei. Minimizar minhas publicações também está nos meus planos.

Imagem: We Heart It
A primeira coisa que eu fiz foi parar de seguir tudo e todos. Isso é algo desumano e inútil. Apenas causa frustração diária. Entenda, deixar de seguir alguém não significa que você não gosta mais daquela pessoa. Já o fato de seguir, significa que o assunto que ela compartilha deveria te interessar. - See more at: http://webinsider.com.br/2013/04/25/como-transformei-o-facebook-em-algo-agradavel/#sthash.wG6VN19l.dpuf