17/03/2013

Querido Diário

Quando o último post completa uma semana, eu já começo a me sentir culpada. Eu pretendia ter postado por volta de quarta-feira passada mas acontece que essa semana foi particularmente estranha e um tanto quanto bipolar.

Tudo começou com uma preguiça fora do comum no domingo que me fez procrastinar a limpeza do apartamento para a segunda-feira. Isso fez com que, o dia que já seria corrido, se tornasse ainda mais. A pressa é inimiga da perfeição e nesse corre-corre, bati a cabeça no balcão da cozinha. Como eu me sentia bem, apesar da dor, segui fazendo minhas coisas porque o tempo urge e a Sapucaí é grande.

Fui para a aula da tarde sem maiores problemas e estava me sentindo muito bem, obrigada, até colocar a mão na cabeça e sentir um machucado. O que os olhos não vêem o coração não sente, mas o que meu tato percebeu me assustou de tal maneira que não teve jeito: minha pressão caiu. Inventei de ir até o banheiro, lavar a rosto e verificar o machucado no espelho. Foi chegar lá para a vista escurecer e a pressão cair de vez. Me sentei no chão por uns minutos até me sentir melhor. Mas sou mais ansiosa do que gostaria de admitir e, mal melhorei, já me pus de pé, voltando para a sala de aula. Nem cheguei na carteira e já senti as imagens se esvaindo novamente. Sentei por alguns minutos e decidi sair novamente. Não tinha jeito: eu precisava me deitar. Depois de algum tempo deitada, me senti melhor e acabei decidindo por voltar para casa antes que me sentisse mal novamente.

Desde que vim para casa, não passei mal novamente. O machucado na cabeça foi minúsculo e a queda de pressão foi puro drama traduzido fisiologicamente. Na terça, me comportei muitíssimo bem, sem correria e sem acidentes. Mas na quarta, meu azar voltou com tudo. Pelo menos na hora do almoço. Tomei uma das maiores chuvas da minha vida e cheguei em casa ensopada, morrendo de frio e cólica. Depois de um banho quente, das roupas penduradas no varal e os sapatos colocados na janela numa tentativa inútil de serem secados pelo sol, relaxei um pouco de todo o nervosismo que sempre se instala em mim em passar por perrengues desse tipo. Mas como o tempo em São Carlos é imprevisível, a tarde foi linda e ensolarada e me permitiu dar uma voltinha na rua, ir ao supermercado e à rodoviária. Andar me fez um bem danado, melhorou a minha cólica e o meu mau humor.

Na quinta-feira pela manhã, descobri que não teria aulas porque a universidade declarou luto oficial por conta da morte de uma estudante dentro do campus no dia anterior. Uma pena uma fatalidade dessas ter sido a responsável pelo meu final de semana prolongado. Corri para trocar as passagens, avisei os meus pais e meu namorado, fiz as malas rapidamente, improvisei um almoço e voltei para São Joaquim exatamente 24 horas antes do previsto. Acho que aproveitei bem essas horas, apesar do cansaço. Fiz caminhada e saí para jantar com meus pais, desfiz minhas malas, li um pouco da revista Vida Simples desse mês e do livro Água para Elefantes.

Sexta-feira foi um dia atípico. Passei bastante tempo com as minhas primas, seus filhos e a minha mãe; matei a saudade do meu namorado; ensinei um truque novo para a Íris; vasculhei umas fotos antigas e até vi a Lari um pouquinho. Sábado foi um dia super preguiçoso e com direito a uma das minhas gordices favoritas: ovo de páscoa. Também aproveitei para passar mais tempo com meus pais e meu namorado e ler um pouco. Nada de computador nesses dias!

Fiz minha mala na madrugada do sábado para domingo e saí de São Joaquim no final da manhã, como sempre. Num golpe de sorte, o primeiro ônibus que pego se atrasou bem menos que o costume (ele atrasa 15 minutos todo domingo, religiosamente) e tive tempo de pegar um sanduíche no Subway para almoçar. Também chegamos razoavelmente cedo em São Carlos e viemos para o meu apartamento a pé. Meu ânimo desabou no caminho enquanto pensava no que tenho para fazer essa semana. Cheguei cansada por causa do calor, cochilei por uns minutos, desfiz minha mala e passei a tarde lendo textos (chatérrimos) para a faculdade e matando a saudade do computador. Porque, sim, eu confesso, eu sinto saudades do meu computador. Novamente, procrastinei a limpeza do apartamento e prevejo uma segunda-feira corrida. Só espero que sem cabeçadas dessa vez.