17/01/2013

Ironia

O que vou lhes descrever nas próximas linhas é algo que sempre acontece comigo e que, acredito, pode ser que aconteça com algumas de vocês.

Primeiro, descrevamos a situação: aquela rodinha típica de mulheres, geralmente mais velhas que eu, talvez da idade da minha mãe. Não tenho nada contra grupos de mulheres conversando, é claro. Muitas vezes, é bastante prazeroso e interessante. O que me incomoda é quando, em reuniões mistas, se dividem homens e mulheres - geralmente homens na sala e mulheres na cozinha - em rodinhas diferentes, como se a intenção de uma reunião não fosse reunir, e sim segregar. Mas, enfim, não nos dispersemos. Também devo dizer que não tenho nenhum preconceito com mulheres de meia idade. Só acredito que, em muitos casos, mulheres mais velhas estão mais propensas a serem machistas do que mulheres mais novas simplesmente por terem sido criadas em um ambiente mais machista. De qualquer forma, acredito que vocês já tenham em mente a rodinha de mulheres que eu quis descrever. Eu estou no meio, por alguma razão.

Conversa vai, conversa vem, alguma delas reclama sobre sua vida conjugal. Eu entendo que nenhum casamento é um mar de rosas, como nenhum relacionamento é. Todos têm problemas. Mas geralmente essas mulheres demonstram uma infelicidade enorme com seus casamentos e maridos. Homens estes que não são seus companheiros, mais parecem verdadeiras cruzes que elas carregam. Elas estão presas em casamentos que as fazem infelizes, mas que, apesar de tanto reclamarem, ainda insistem que as fazem "bem". Claro que sempre há um certo exagero em tudo isso. Muitas mulheres, no auge de sua competitividade, exageram fatos e reclamações, falam verdadeiros absurdos. Mas é possível perceber no olhar de algumas o que verdadeiramente acontece. Mulheres infelizes, mas satisfeitas em estarem "cumprindo seu papel na sociedade", sendo "boas" esposas e mães.

São essas mesmas mulheres que, em determinado momento, viram os holofotes para mim. Eu, a mocinha de 20 e poucos anos, solteira, mas namorando. Me perguntam quando eu vou casar. Isso mesmo, quando. Não me perguntam se quero, se sonho, se isso está nos meus planos. Elas são categóricas: quando. Afinal, uma moça tem que se casar. É o que se espera de uma mulher. É o que se esperava delas e elas, triunfantes, cumpriram seu destino e casaram. E mais: tiveram filhos. Reza a lenda que a mulher que não é mãe é uma mulher incompleta. (Spoiler: isso é uma grande mentira.)

Sinceramente, tenho vontade de rir. Aquelas mesmas mulheres tão infelizes com seus casamentos querem que eu me junte ao coro das reclamonas? Querem que eu me torne uma delas? Uma respeitada mulher casada que adora reclamar do marido em rodinhas de respeitadas mulheres casadas que também adoram reclamar do marido?

Eu não sou idiota a ponto de achar que toda mulher casada é infeliz com seu casamento. Eu não sou idiota a ponto de achar que toda mulher se casa por pressão, por achar que é assim que deve ser. Felizmente, existem mulheres que casam por acreditar no casamento, por amar seus maridos, por sonhar com aquilo de verdade. Não sou contra o casamento. Só acho irônico aquelas mesmas mulheres que têm uma experiência tão ruim com seus casamentos acharem que você também deve se casar. Quando é o comentário de uma mulher verdadeiramente "bem casada", que é feliz e satisfeita com sua vida, que ama seu marido e ama estar com ele, eu compreendo perfeitamente. Talvez ela queira essa mesma felicidade e satisfação para mim - e simplesmente não parou para pensar que o que a faz feliz, não necessariamente me faria. Mas vindo de uma mulher infeliz, chego a pensar que ela queira que eu seja infeliz como ela.

Só para concluir, eu já disse aqui e digo de novo: nossa felicidade não deve depender exclusivamente de outra pessoa. Não podemos depender de um casamento ou de qualquer outro relacionamento para sermos felizes, existem tantos outros motivos! Casamentos, namoros e amizades acabam. Pessoas mudam, pessoas se vão. Em primeiro lugar, nossa felicidade deve depender de nós mesmos. Só lembrando que felicidade é diferente de alegria, que ser feliz não quer dizer estar alegre o tempo todo. Todos temos momentos ruins e o direito de sofrermos, de estarmos tristes. Mas se somos felizes, superamos isso e vamos em frente.

Eu sou feliz. Não sou casada, não tenho filhos e não me sinto menos mulher por isso. Não sou incompleta. Tenho um corpo, um cérebro, penso, questiono, sou feminista, tenho uma personalidade que mesmo cheia de defeitos me agrada bastante. Estou onde gostaria de estar, estou satisfeita, mesmo que ainda há muito o que fazer, melhorar e conquistar. Posso parecer egoísta e egocêntrica, mas não tenho o direito de jogar toda a responsabilidade da minha felicidade nas costas de quem eu amo. Eles não me fazem feliz. Eles me fazem mais feliz.
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