16/07/2012

Organizada? Eu?

Dizem que sou uma pessoa organizada. Meu namorado reclama da minha necessidade de lavar a louça todos os dias antes de dormir e me pergunta como eu o suporto tão bagunceiro. Minha mãe diz algo sobre eu ter "o dom" para essas coisas e adora abusar desse meu tal dom para arrumar seus armários. Já li muitos comentários aqui no blog elogiando essa minha qualidade e alguns queridos até dizem que eu os inspirei a se tornarem mais organizados. Pois é, eu não me vejo assim, mas admito: me esforço bastante para ser uma pessoa mais organizada.

Acho que eu nunca fui muito bagunceira. Lembro-me de, desde criança, guardar tudo no seu lugar depois de brincar. Nos primeiros anos de escola, eu sempre obedecia a uma certa rotina depois das aulas: almoçava, escovava os dentes, trocava o uniforme, fazia todos os deveres de casa e só então ia brincar ou assistir à TV. Além disso, sempre guardava meus materiais e preparava a mochila para o dia seguinte assim que terminava as tarefas.

A adolescência deve ter sido minha fase mais bagunceira. Lembro do meu pai reclamando da desordem do meu quarto. Nessa época, eu me tornei mais displicente com o colégio e um pouco mais preguiçosa. Entretanto, ao mesmo tempo, eu gostava de cuidar do meu quarto e tirava finais de semana inteiros para arrumá-lo, limpá-lo e até decorá-lo. Eu também gostava de me intrometer na arrumação da casa e, vez ou outra, passava o dia organizando os armários da cozinha da minha mãe. (Pois é, acho que a acostumei mal.)

Como eu disse, fui bem displicente nos últimos anos de colégio. Eu não era uma má aluna. Pelo contrário, mantinha notas boas, mas não entrava na pilha das minhas colegas de sala que viviam em eterna competição para ver quem tirava as notas mais altas. Eu, que já era preguiçosa, achava um desperdício de energia me esforçar para tirar um 10 enquanto podia tirar um 8 ou um 9 simplesmente prestando atenção nas aulas (no caso de humanas, biologia, português...) ou fazendo alguns exercícios em casa (no caso de exatas). Nessa época, eu já não tinha uma rotina pós aulas e estudava somente quando me dava vontade e somente aquilo que me interessava (exatas).

Em 2009, decidi estudar sozinha para o vestibular e tudo mudou. Não tinha mais aula para prestar atenção, nem podia estudar somente o que eu quisesse e quando quisesse. Tive que ser mais responsável e me organizar. Aliás, já fiz um post aqui no blog explicando como eu organizava meu tempo, entre outras coisas. Foi um grande desafio e fez uma grande diferença para mim. Nesse ano também tive que me organizar para não perder as datas de inscrição, não esquecer nada nos dias de prova, não atrasar e dar conta de estudar tudo a tempo. Além disso, tinha que manter meu quarto arrumado para perder o menor tempo possível procurando pelas minhas coisas.

Essa experiência com o vestibular foi de grande valia para mim na universidade. Afinal, a gente acaba sendo auto-didata com muitas disciplinas na faculdade, temos horários mais flexíveis e muito mais compromissos e responsabilidades do que no colégio. Além de tudo isso, ainda moro sozinha e tenho que lidar com a arrumação, limpeza e manutenção do apartamento. Se eu não fosse (ou tentasse ser) organizada, não sei se daria conta.

Nesses quase dois anos e meio morando sozinha e apanhando da faculdade, a organização foi uma grande aliada. Nos primeiros meses, sofri bastante, mas fui aprendendo. Acho que organização é algo constante, estamos o tempo todo arranjando soluções para otimizar nosso tempo e espaço, mantendo-as e refazendo-as para se adaptar às mudanças constantes da nossa vida e do nosso dia a dia. Organização demanda um certo esforço, mas é bastante fácil e prazeroso.
 
Bitch, please!