12/02/2012

O que penso sobre: Fim das Sacolinhas Plásticas em SP

Em resumo, eu estou uma chata de tão satisfeita. Chata porque, enquanto todo mundo só sabe reclamar, eu insisto em apontar o lado bom dessa história toda.

Para quem não é paulista, eu explico. Foi assinado um acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do estado para que as sacolas plásticas deixem de ser distribuídas gratuitamente. Não é uma proibição. De qualquer forma, elas vêm sumindo de vista. Em boa parte dos supermercados, as sacolinhas de plástico derivado de petróleo foram substituídas por sacolinhas oxi-biodegráveis que devem ser pagas pelo consumidor.


Eu aplaudo a iniciativa. Acho que o redução das sacolinhas plásticas é uma vitória para o meio ambiente. Estamos cansados de saber o impacto que essas sacolinhas têm. E vocês podem até me dizer que a sacolinha que vocês pegam no supermercado é reutilizada para colocar seu lixo doméstico e vai para um aterro. Bem, mesmo que você faça isso com absolutamente todas as sacolinhas que chegam à sua mão (e eu duvido), não é todo o lixo que vai para aterros adequados. Aliás, esse é um dos grandes problemas. A sua sacolinha plástica, junto com o seu lixo doméstico, geralmente é disposta de forma errada. Me diz aí se na sua cidade tem aterro sanitário. Além disso, não é toda sacola que é reutilizada. As sacolinhas plásticas são muito leves, são facilmente carregadas pelo vento e pela água. Uma sacolinha descartada sem cuidados pode se deslocar muitos quilômetros e poluir os rios, por exemplo. E, como vocês estão cansados de saber, rios desaguam no mar. Já ouviram falar da mancha de plástico no oceano Pacífico? É provável que haja alguma coisa que você descartou lá. Inclusive aquela sacolinha de supermercado que foi parar no lixo, na rua, no parque... Além disso, essas sacolinhas são muito frágeis, rompem-se com facilidade. Uma vez rasgada, vai ser descartada com certeza. Lembro-me das grandes compras do mês que fazíamos aqui em casa antigamente. Das muitas sacolinhas que vinham do supermercado, quase metade eram descartadas porque rasgavam no caminho ou quando íamos guardar as compras.

Posso apelar para seu lado sentimental?
Tartarugas marinhas morrem asfixiadas por se alimentarem de sacolinhas plásticas achando que são algas.
As sacolinhas oxi-biodradáveis também causam impacto ambiental. Concordo veementemente. As ecobags também causam impacto. Mas, meu bem, sua existência causa impacto. O que você vai fazer? Se matar? Pois bem, seu cadáver também causa impacto. O que fazer? Tentar minimizar esse impacto. Diminuir a quantidade e o volume de resíduos é primordial. E o plástico é um dos piores resíduos, convenhamos. Não vou ficar me alongando aqui, há um texto muito bom a esse respeito nesse endereço, para quem estiver interessado.

Bem, já deixei claro que acho interessante diminuir o uso de sacolas plásticas. Um dos argumentos mais usados pelas pessoas é que outros tipos de materiais descartáveis continuarão sendo produzidos, distribuídos e descartados. Eu concordo. Novamente: concordo veementemente. Além das sacolinhas plásticas, os supermercados distribuem "gratuitamente", por exemplo, saquinhos plásticos para os legumes, frutas e verduras. Além de todas as outras embalagens onde vêm acondicionados os alimentos e outros produtos. E não devemos esquecer dos outros tipos de comércio, que também distribuem sacolas e embalagens. É preciso pensar em tudo isso, mas também é preciso começar por algum lugar. Não podemos banir o plástico do mundo, assim, de repente. Esse tipo de coisa deve ser feita gradualmente. Hoje, trabalhamos a questão das sacolas plásticas. Amanhã, nos focamos nos saquinhos do hortifruti. Uma coisa de cada vez.

Créditos: Funverde

Também estou satisfeita que esse acordo tenha trazido o tema à tona. Muita gente nunca parou para pensar no impacto que aquela "inocente" sacolinha plástica tinha. Hoje, as pessoas se preocupam um pouco mais, pelo menos têm a noção de que aquela sacolinha tem um impacto negativo e que seu uso deve ser controlado. Acho importante instigar a discussão.

Como eu já disse, a educação ambiental por si só não resolve um grande problema. Ela ajuda muito, mas não resolve. Por mais que se falasse sobre as sacolinhas antes e se sugerisse o uso de ecobags, pouca gente colaborava. Era raro ver alguém com ecobag por aí. Aqui em São Joaquim da Barra, então, acho que só eu usava! (Pior que é sério.) Quando você vê um movimento do governo e dos grandes supermercados, a coisa muda de figura. É preciso educar as pessoas para que elas saibam o porquê do fim das sacolinhas, sem dúvidas. Mas é importante incentivar de forma mais enérgica também. Cobrar pelas sacolinhas é uma boa ideia, na minha opinião. Infelizmente, muita gente só muda quando tem o bolso afetado. Porém, deve-se salientar que o supermercado deve fornecer uma alternativa gratuita, segundo o Procon. Não para sempre, claro, só enquanto as pessoas estiverem se adaptando. Uma boa alternativa, para compras grandes principalmente, são as caixas de papelão. Supermercados têm centenas delas, podem distribuí-las gratuitamente. Além do mais, é interessante reutilizá-las e o consumidor mais consciente pode levá-las ao supermercado nas próximas compras.

Acho que o "fim" das sacolinhas plásticas é benéfico. Só temos a ganhar. As pessoas provavelmente levarão um tempo para se adaptar, bem como os supermercados, mas é o preço que se paga por uma mudança. Sempre há uma fase de transição. Uma vez acostumados, acharemos ridículo essa coisa de sacolinha plástica e estaremos mais dispostos a se livrar de outras embalagens. Sou otimista, vejo mudanças positivas. Como diz meu pai, não são só as sacolinhas. As pessoas estão voltando a consumir refrigerante em embalagens retornáveis, por exemplo. Discute-se mais os problemas e impactos ambientais. Uma coisa puxa a outra. Acredito que, gradativamente, conseguiremos viver em um mundo mais ecologicamente correto. Mas, para isso, temos que parar de encarar tudo com tanta falta de vontade.

Justin Timberlake e Jessica Biel usam. E aí, te convenci agora?
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