14/01/2012

Se esse dia fosse meu

Se esse dia fosse meu, teria sido um dia preguiçoso como um sábado de férias chuvoso merece ser. Se esse dia fosse meu, seria gostosamente ocioso, daqueles de passar de pijama, de esquecer de arrumar a cama e prender o cabelo em um caótico coque no topo da cabeça. Se esse dia fosse meu, seria um dia de passar no sofá, de devorar um livro inteiro no mais absoluto silêncio. Se esse dia fosse meu, seria um dia de só ouvir as vozes dos atores de um filme bobo qualquer, desses que fazem rir. Se esse dia fosse meu, seria um dia de só conversar consigo mesmo e com o Chico cantando no rádio. Seria dia de agradecer àquela gravação de anos atrás por fazer da sua vida menos medíocre. Se esse dia fosse meu, seria um dia sem telefone, sem celular, sem internet, sem pessoas. Se esse dia fosse meu, seria um dolce farniente sem culpa nenhuma e sem banheira de espuma. Apenas um edredom quentinho e um grande pote de Nutella. Se esse dia fosse meu, não teria almoço, não teria horário, não teria relógio. Seria um dia de ficar em casa, de não ver a rua, de brigar com o céu. Se esse dia fosse meu, seria do tipo que as pessoas chamam de perdido, de não produtivo. Daqueles dias criticados por aqueles que não conseguem ver a beleza do ócio. Se esse dia fosse meu, não existiriam essas pessoas. Melhor ainda: se esse dia fosse meu, não haveria culpa.