10/10/2011

"Abaixo a chapinha"

Quem segue o Just Lia deve ter percebido uma seção de posts nova no blog: Batalha. Nele, a Lia coloca o visual novo e o anterior de uma famosa e as leitoras votam no seu favorito. Nessa semana, a escolhida foi Blake Lively. Não que ela tenha cortado os famosíssimos cabelos loiros que a tornaram a "nova Jennifer Aniston" dos salões de beleza, mas na semana passada, segundo o blog, Blake começou a usá-los cacheados. Nada demais, já que o cabelo dela é naturalmente assim.

PrintScreen do post Batalha: Blake Lively do Just Lia

Como eu esperava, o visual "antigo" está sendo mais votado e isso me incomodou, é claro. Não que eu ache que as pessoas devam compartilhar da minha opinião, mas me incomoda muito a aversão que as pessoas têm a cabelo cacheado. Sei que o número por si só diz pouco, mas os comentários do post dizem muito. Neles, lemos coisas do tipo rebelde, bagunçado, armado, largado e até "abajur". (Preciso falar da vontade de pular na garganta da moça que disse que parece um abajur?)

Talvez seja uma coisa que vem lá da infância. Cresci em uma época em que estereótipo de beleza passou a ser o cabelo liso. Raramente, alguma famosa ousava aparecer com os cabelos cacheados. Digamos que foi o boom das chapinhas. As mocinhas de novela, as modelos e as mulheres "comuns" só usavam seus cabelos lisos. Nisso, eu me sentia um peixe fora d'água. Minha mãe, minhas tias, minhas primas e minhas coleguinhas de escola tinham cabelo liso. A infância toda, era como se o meu cabelo fosse feio e errado porque fugia do padrão.

Isso se seguiu até a adolescência. Aliás, essas coisas tendem a piorar na adolescência. Tive fases de só usar o cabelo preso e até mesmo de simplesmente não sair de casa porque tinha vergonha. Além disso, me incomodava muito ir a salões de beleza. As cabeleireiras sempre insistem em alisar seu cabelo depois de cortar, né? Isso sem contar os inúmeros convites para fazer escova progressiva, definitiva, de chocolate e o diabo a quatro para "resolver todos os meus problemas". E talvez um dos momentos mais irritantes foi quando pedi para uma cabeleireira não escovar meu cabelo depois de cortar e ela me disse que não podia me deixar sair do salão "daquele jeito", que ela tinha uma reputação a zelar.

Depois, cresci, amadureci e passei a me importar bem menos com que as pessoas diziam. Um dos momentos cruciais foi conhecer a chefe do meu pai. Eu sei que parece nada a ver, mas achei o máximo a mulher que mandava no meu pai (o cara que eu mais admirava na vida) ter cabelo cacheado. Outra coisa que fez diferença foi aprender a cuidar do meu cabelo melhor e deixá-lo bonito e natural. Descobri que meu cabelo era lindo e que minha opinião era a única que importava.

Não acho errado alisar o cabelo. O "abaixo a chapinha" do título foi apenas para chamar atenção. Eu acredito que devemos fazer o que nos faz feliz, o que nos faz sentir melhor. Mas acho importante parar para refletir se nossa relação com nossa imagem é baseada na nossa opinião verdadeira ou se pensamos assim por pressão da sociedade.

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