04/03/2012

"Acenda o refletor, apure o tamborim. Aqui é meu lugar, eu vim." *

Créditos: Zanone Fraissat / Folhapress
Já estou há alguns minutos aqui, encarando a tela do computador e pensando no que escrever. Na verdade, pensando em como colocar em palavras pelo menos um pouco do que senti na noite passada.

Como alguns de vocês estão cansados de saber, ontem fui ao show do Chico Buarque, parte da turnê do seu novo álbum. Quem me conhece sabe que o Chico para mim é mais que um ídolo, é uma paixão, digamos assim. Não saberia explicar.

Assim como não sei explicar o que se passou na minha cabeça quando as luzes se apagaram e uma voz anunciou a entrada do Chico. Lá do fundo do palco, surge um senhor andando rápido em direção ao microfone e o público explode. Não disse uma palavra, como é de praxe, e começou a cantar "O Velho Francisco". Ao fim da música, mais aplausos, gritos, aquela coisa toda. Um "boa noite, São Paulo" e mais uma explosão na platéia. Aliás, vou poupá-los: ao fim de cada música e ao menor gesto de Chico, o público ia à loucura. Compreensível. Cantou mais de vinte músicas, quase sem interrupções, com uma beleza, uma serenidade, uma maestria, coisas de Chico. O repertório** era exatamente o que havia sido anunciado (veja no final do post), uma mistura das canções do novo CD com músicas antigas, algumas pouco conhecidas, outras queridas do público que não resistia e cantava junto. Como aconteceu nos dois primeiros dias, um dos pontos altos do show foi a interpretação da famosa Geni e o Zepelim que, antes dessa turnê, nunca havia sido cantada em shows. Fui clichê e, não sei bem porque, a música que mais me emocionou foi Todo o Sentimento. Minhas músicas favoritas - com exceção das do novo álbum - não foram tocadas. Mas isso não chegou nem perto de estragar o show para mim. Além da perfeição da interpretação de Chico, o show foi impecável. O repertório fazia sentido, assim como o álbum Chico, formava uma unidade, era como se as músicas conversassem entre si. O palco era simples, mas muito bonito. Poucos efeitos, poucas luzes, tudo muito condizente com o estilo simples e minimalista do Chico. Fiquei encantada. Durante todo o show, meu rosto foi um misto de lágrimas e sorrisos, como não poderia deixar de ser. Não sei explicar como eu me sentia, mas era uma sensação única.

É isso. Jamais seria capaz de escrever algo à altura do show, mas precisava registrá-lo aqui. Afinal, é um momento único. Provavelmente, nunca mais verei o Chico num palco, assim de perto, ao vivo. Valeu a pena cada centavo gasto e cada minuto na estrada.

Aproveito esse post também para agradecer ao meu pai e ao meu tio que sacrificaram seu sábado para me realizar esse sonho. Mais do que pai e tio, eles são grandes amigos e fizeram da viagem a mais agradável possível. Foi um final de semana perfeito.

* De volta ao Samba, Chico Buarque, 1993.

** Repertório:
O Velho Francisco; De Volta ao Samba; Desalento; Injuriado; Querido Diário; Rubato; Choro Bandido; Essa Pequena; Tipo um Baião; Se eu Soubesse; Sem Você 2; Bastidores; Todo o Sentimento; O Meu Amor; Teresinha; Ana de Amsterdam; Anos Dourados; Sob Medida; Nina; Valsa Brasileira; Geni e o Zepelim; Barafunda; Sou Eu; Tereza da Praia: A Violeira; Baioque; Cálice; Sinhá. - Barafunda; Futuros Amantes; O Grande Circo Místico.