07/11/2010

A Resenha de Cultura

Um parêntesis: Usarei uma metonímia aqui. É uma explicação longa, mas sem ela não se entende - ou pouco se entende - o post de hoje. Como vocês sabem, eu estou cursando Engenharia Ambiental e Sanitária na EESC, USP. Nos dois primeiros períodos, faço uma disciplina denominada Cultura, Ambiente e Desenvolvimento, ministrada por dois professores diferentes - um em cada semestre -, ambos arquitetos. Eles costumam - como era de se esperar - indicar dezenas de leituras para nós (muitas aguardando o tempo livre e possível tédio das férias). Algumas, obviamente, são obrigatórias. Nota-se a predileção deles por textos escritos por outros arquitetos. Além disso, há outra semelhança entre os textos: geralmente são longos, pouco objetivos, repetitivos e redundantes. Embora possa ser uma impressão minha, dada principalmente pelo meu apreço à objetividade, à clareza e - mais importante! - à economia do meu cada vez mais escasso tempo. Mas, claro, devo salientar que, sim, essas leituras foram de alguma utilidade para mim, me ensinaram algo interessante e algumas até me agradaram muito. Em duas semanas, devo entregar a resenha de um artigo. Artigo esse que eu só comecei a ler de fato hoje de manhã. Então, a resenha de cultura é uma metonímia para todas as leituras obrigatórias de CAD. E embora eu seja muito específica em certos detalhes, saibam que eu poderia fazer o mesmo com muitos desses trabalhos.

Se a resenha de cultura me serviu para alguma coisa, não foi para que eu aprendesse que "o regimento de cortes de madeiras para o Brasil, de 11 de julho de 1799, continha determinações detalhadas do modo como as madeiras deveriam ser cortadas, serradas e marcadas para serem identificadas como 'paus reais'" (porque eu provavelmente me esquecerei disso em menos de um mês). Foi para que eu me convencesse de uma vez por todas de que engenharia não foi uma decisão (tão) estúpida. Não mesmo. Confesso que os limites do meu livro de cálculo I pareciam mais atraentes do que o tal artigo sobre as "manifestações pela conservação da natureza no Brasil" nos últimos anos de colônia até o fim do 2º Império. E eu não estava errada! Odeio a forma como o texto se prolonga em detalhes desnecessários, nomes e datas que - mesmo tendo acabado de ler o texto há 10 minutos - eu já não me lembro mais. Também odeio o princípio de lirismo e as expressões rebuscadas de um texto que se pretende científico. Não é romance, pô! E não, tia*, você não é Machado de Assis. É uma só disciplina, 100 minutos semanais e eu não aguento. Imagine então eu, em um curso de humanas. Morri.

* tia = a autora, arquiteta, metida à engenheira ambiental


PS: Escrevi esse post na quinta-feira, dia 4, quando tinha acabado de ler o tal artigo e ainda não tinha começado a resenhá-lo. Hoje, resenhando-o, o odeio cada vez mais.