12/01/2010

Só uma picadinha my ass

Eu enfrescurei (os neologismos já começaram). Quando era criança, eu tinha anemia e, por causa disso, tinha que fazer hemogramas uma, duas, até três vezes por ano. Era tranquilo: eu me sentava numa cadeira gigantesca, estendia o braço pra moça, encarava o ventiladorzinho no canto da sala ou os ursinhos Pooh da parede e esperava meu pirulito. Sem choro, nem vela nem drama. A moça mal colocava o curativozinho, eu já estava de pé, com um sorrisão no rosto e a mãozinha estendida.

Daí cresci. Troquei o pediatra por uma ginecologista. Ela pediu, entre outros exames, um hemograma, mas queria que eu o fizesse lá na clínica mesmo. A vida inteira, o mesmo laboratório, a mesma salinha com papel de parede do Pooh e ventiladorzinho no canto, a mesma moça (que a essa altura, já é quase uma senhora), a mesma cadeira (que continua gigantesca). De repente, me colocam numa enorme sala branca, me sentam numa cadeira chique e me botam diante de uma enfermeira do mal que saiu espetando meu braço sem dó nem piedade. Passei mal e dei vexame.

Desde então, é um drama só. Só faço o tal exame no laboratório daqui de São Joaquim. No velho laboratório de infância, com a mesma moça e a mesma decoração. Só me falta o pirulito. E a coragem. Peço pra moça colher o sangue comigo deitada, fico branca, assusto todo mundo, faço careta quando a agulha me espeta e depois fico molenga e reclamona o dia todo.