07/11/2009

O Vestibular

Aposto que alguns de vocês conhecem parte do que vou lhes contar, mas creio que poucos conhecem essa história por completo e, bem, eu queria escrever.

A primeira vez que eu ouvi de falar de vestibular, provavelmente, foi no colégio, mas não me lembro. A primeira vez em que eu pensei em vestibular foi em 2005, quando entrei na 7ª série. Nós conhecemos nosso novo professor de literatura. Ele é uma figura rara, nos acompanhou pelos cinco anos seguintes e nos rendeu várias histórias. Logo no primeiro dia, ele já nos assustou com um discurso gigantesco sobre o vestibular, tocando o terror na sala de adolescentes de 14 anos cuja maior preocupação era a espinha que surgiu no meio da testa. Fato é que desde então eu meti na minha cabeça que terminaria o terceiro ano, passaria no vestibular e no ano seguinte ingressaria numa boa faculdade pública - fosse qual fosse.

Passou-se a sétima série, a oitava, o primeiro e o segundo anos. Muita coisa mudou, mas os meus planos para o terceiro ano não: estudar o suficiente para passar no vestibular direto, sem cursinho. Eu simplesmente desconsiderava qualquer outra opção. Quando finalmente chegou o tão esperado ano - 2008 - as coisas não aconteceram bem como eu planejara. Tudo conspirou para que meus planos mudassem... Ainda bem!

Eu comecei o ano estudando muito, muito mesmo, como eu havia planejado. Surgiram problemas pessoais com os quais eu não contava e eu fui imatura o suficiente - confesso - para não conseguir lidar com eles e estudar ao mesmo tempo. Mais tarde, vieram os eventos do colégio, as festas e esquemas de arrecadação de dinheiro para a formatura, a própria formatura e tudo isso me tomou um tempo gigantesco e, novamente, não consegui conciliar os estudos com o resto da minha vida. Por fim, cheguei às férias de julho completamente cansada e sem fôlego para recuperar o tempo perdido, mas ainda queria voltar a me dedicar ao vestibular no segundo semestre e tentar passar direto. Foi aí que eu tomei uma decisão. Quando eu finalmente tentei e percebi que não dava pra fazer cinco meses de estudo em um só e que eu precisava daquelas férias, engoli meu orgulho, meu preconceito com os cursinhos e decidi que adiaria os meus vestibulares para 2009, quando eu teria tempo não só pra me preparar, mas também pra pensar no curso, algo que eu ainda não havia decidido.

O resto do ano foi como uma despedida dos tempos de colégio e um descarrego das tensões do primeiro semestre. Curti meus amigos como eu nunca havia curtido antes. Os fantasmas dos problemas do começo do ano não me atormentavam mais - ou eu não me importava mais com eles. Minha única preocupação era como contar aos meus pais, professores, família e amigos - todos cheios de expectativas - que eu não havia estudado para o vestibular e só ia fazer duas provas para conhecê-las de fato, já que nunca fiz prova simulada ou vestibular como treineiro. Acabou não sendo tão ruim, embora muita gente não tenha entendido e tenha me criticado. Eu sei o quanto essa decisão foi importante e necessária pra mim.

Fiz as provas da Fuvest e Unesp. Para os cursos que prestei - farmácia-bioquímica e biomedicina - eu não tinha nota o suficiente pra passar, embora, eu pudesse ter passado em outros cursos menos concorridos mesmo não tendo estudado - o que me animou um bocado. Prestei também vestibulinhos para dois cursinhos e ganhei bons descontos, mas ainda assim decidi não fazer. O cursinho em Ribeirão Preto exigia que eu mudasse para lá e consumiria muita grana, o que me fazia sentir culpada por não ter aproveitado o terceiro ano (para estudar, já que, em termos de diversão, aproveitei muito!). Já o cursinho aqui de SJB, embora barato, estava longe de ser o que eu queria. Acabei me decidindo por estudar por conta própria e fazer cursinho de exatas e português só como suporte. No meio do ano, deixei o cursinho de português porque, apesar de adorar a disciplina, não suporto as aulas, por melhores que sejam os professores.

2009 foi um ano no mínimo curioso. Engordei cerca de 12kg de tanto ficar em casa, sentada o dia todo, longe da agitação do colégio. Me senti extremamente sozinha porque meus amigos tomaram seus próprios caminhos e meu círculo social não ganhou muita gente. Tirei carteira de motorista, o que me levou a conhecer e conviver com algumas pessoas, mas por muito pouco tempo. Também ouvi muita coisa do tipo "se dizia tão inteligente mas nem passou no vestibular", aquele tipo de preconceito que eu mesma tinha antes. Tive problemas pessoais, sim, mas fui capaz de lidar com eles. Encarei o desafio de estudar sozinha, de me virar por conta própria e acho que isso me ajudou a desenvolver certa responsabilidade e maturidade. Finalmente, escolhi um curso que - ao que parece - combina comigo. Passei nos dois vestibulares que prestei no meio do ano, o que meio que "lavou a alma" e "tirou um peso das minhas costas" (pra abusar um pouquinho das metáforas clichês). Decidi estudar mais seis meses e encarar a maratona de vestibulares do final do ano. E cá estou eu.

Amanhã começa o que eu espero que seja a última maratona de vestibulares da minha vida. Ou pelo menos, a última antes de eu começar um curso superior.

Desejem-me sorte.

Foto: We Heart It