28/08/2009

Sobre como eu aprendi a escrever

Comecei a escrever antes mesmo de aprender escrever.
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Fernanda Young
Ouvi essa frase pela primeira vez em um comercial da Nextel. Depois, a reli em algumas entrevistas. Acho que eu nunca havia pensado nisso, mas eu - longe de ser tão escritora quanto a Fernanda Young - também comecei a escrever antes mesmo de ser alfabetizada.

Sou filha única e, embora tivesse um número razoável de amigos e primos da minha idade, passava a maior parte do tempo sem a companhia de outras crianças. Eu não achava isso totalmente ruim. Eu gostava de adultos e os observava com um interesse todo especial, com a mesma curiosidade que me levava a assistir muita televisão e a folhear aqueles livros cheios de palavras e com poucas ilustrações que eu não podia decifrar. Ganhei minha primeira coleção de livros antes de entrar na escola e minha mãe lia-os pra mim todas as noites.

Embora eu adorasse ouvir minha mãe lendo, acabei descobrindo uma atividade muito mais interessante. Eu me sentava em um canto atrás do sofá, com o livro no colo, observava as imagens e inventava novas histórias. Os personagens ganhavam outros nomes, outras personalidades e outro destino. O lobo mau era do bem, as princesas não eram frágeis e os príncipes eram completamente dispensáveis.

Naquela época, até minhas brincadeiras tinham roteiro. Minhas barbies tinham nome, profissão, personalidade e um destino na minha trama. Raramente eram o que a caixa sugeria. Eu misturava roupas e bonecas, minha avó me costurava novos vestidinhos e minhas barbies eram publicitárias, cantoras, escritoras de novela, soldados, pilotos de avião, pilotos de Fórmula 1 e jogadoras de futebol. Viviam na Grécia, na China, na Europa, na África e qualquer lugar que eu descobrisse em um filme ou encontrasse em um mapa. Mesmo meu amigo imaginário Genebaldo tinha uma história fantástica que era segredo meu.

Foi assim que eu aprendi a escrever antes de aprender a escrever.

[comentários perdidos devido às mudanças do Haloscan no final de 2009]