14/05/13

Felicidades Clandestinas

 Felicidade clandestina é uma expressão fantástica, percebam. Ela é título de um conto maravilhoso de Clarice Lispector que era mestra em usar as palavras, daí suas muitas frases de efeito descoladas de seus textos e contextos e espalhadas internet à fora. Anna, que também se dá muito bem com as palavras, faz excelente uso da expressão no nosso querido So Contagious. Em um post recente, ela enriquece a expressão dando a ela mais um sentido: felicidade clandestina passa a incluir também os chamados guilty pleasures, que como o próprio nome diz, são aquelas delícias que nos enchem de culpa, mas que não conseguimos evitar. No texto, Anna nos conta alguns de seus guilty pleasures, dois dos quais eu compartilho: novelas e dormir tarde. Dessa identificação, veio a vontade de fazer um post semelhante. Então, ideia roubada e créditos dados, comecemos.

Novelas
Ametista e Ataxerxes, uma história de amor muito, mas muito melhor que Crepúsculo.
 Sinto muito, mas já começo minha lista roubando mais uma coisa do texto da Anna. Tenho uma relação com as novelas muito semelhante a dela e também me sinto culpada em perder tanto tempo acompanhando quase religiosamente os capítulos das novelas que gosto. Esse hábito vem de infância e tem mudado um pouco. Tenho gostado muito de assistir novelas antigas, talvez porque as atuais têm sido bem decepcionantes, e agora exista o canal Viva - que passa produções antigas da Globo, inclusive novelas. Ultimamente, me apaixonei por Felicidade, que tem personagens extremamente ricos, como o casal que ilustra esse item. Felizmente, só tenho acompanhado esta e Sangue Bom, mas prevejo um vício por Amor à Vida. Acompanhemos.

Redes sociais
 Ultimamente, mais guilty do que pleasure, confesso. Eu sempre gostei muito de redes sociais, desde o saudoso Orkut (naquela época em que você tinha que receber convite para se inscrever no site). Mas ultimamente tenho perdido muito tempo e acho que tenho feito um uso muito ruim delas, aproveitando muito pouco o que elas têm de bom. Pretendo mudar alguns hábitos e tornar minha relação com elas melhor, talvez até tirando-as da categoria de guilty pleasure. Acompanhemos, também.

Pizza

 Quem não gosta de pizza, bom sujeito não é. Sem mais.

"O que tem na sua bolsa"
Bolsa da Giovanna - Na Sua Bolsa
 Já falei sobre isso aqui no blog. Sou curiosa, confesso, e adoro saber o que as pessoas levam consigo. Lembro de fuçar nas bolsas das colegas de escola e sempre me empolgo quando eu vejo o título nos posts dos meus blogs favoritos. Já perdi muitas horas da vida no grupo What's in your bag do Flickr ou assistindo vídeos do gênero no YouTube.

Trocar os móveis de lugar
Daphne e Milly me entenderiam - filme "Minha mãe quer que eu case"
  É sempre constrangedor quando alguém entra no meu apartamento e diz "você mudou os móveis de lugar de novo?". Acontece que eu não consigo evitar, vivo trocando tudo de lugar e até de cômodo. Sempre tenho uma desculpa para fazer as mudanças e arranjo mil justificativas para a nova localização dos móveis. Mas o fato é que sempre fico satisfeita com as mudanças e adoro curtir o ambiente renovado, mesmo que as mudanças sejam sutis. Isso até eu achar que tem algo de errado e mudar tudo de novo.

12/05/13

Onipresente

 Quando eu era criança, bem pequena, antes mesmo de entrar na escola, eu tinha uma rotina matinal bastante gostosa. Eu me levantava de manhã, pegava meu paninho (todo bebê tem um paninho) e ia direto para a sala. Eu me deitava no sofá e ligava a TV. Passava Bom Dia & Cia com a Eliana, na época. Minha mãe me trazia a mamadeira. Uma das minhas lembranças mais antigas é justamente a imagem do sol que entrava pela janela da sala batendo no fundo da mamadeira nessa época. Depois que o programa terminava, eu voltava para o meu quarto, que já estava completamente mudado: janela aberta, sol entrando, cheirinho de limpeza e cama arrumada. Uma delícia!

 Minha infância foi marcada por momentos assim, coisas simples que me faziam muito bem. Era delicioso chegar no quarto arrumadinho, assim como era super gostoso chegar em casa depois da escola e sentir o cheiro do almoço na cozinha. Uma das primeiras coisas que eu sempre fazia era trocar o uniforme por uma "roupa de ficar em casa" e às vezes, quando eu ia me trocar, me surpreendia com uma sacolinha em cima da cama. Era presentinhos da minha mãe, livros, coisas de papelaria, acessórios de cabelo e toda a sorte de coisinhas que eu amava. Ou melhor, ainda amo.

 Outra surpresa que minha mãe me fazia e que me deixava enlouquecida eram as cabaninhas. De vez em quando, minha mãe pegava um lençol todo cheio de estrelas e montava uma espécie de barraca no meu quarto. Ela jogava um pano no chão, com algumas almofadas e muitos brinquedos. Era maravilhoso. Me lembro bem de como eu queria dormir ali e como era triste quando a cabaninha era desfeita. Além disso, minha mãe também me fazia casinhas com caixas de papelão de eletrodomésticos grandes. Quando trocamos nossa geladeira pela primeira vez, lembro de ter ficado um dia todo dentro da tal casinha, assistindo televisão pela janela que minha mãe havia cortado e só saindo para ir ao banheiro.

 Quando eu ficava doente, acreditem, era uma farra. Eu adorava faltar à escola para poder assistir aos desenhos que passavam de manhã e adorava ficar doente para tomar Melhoral Infantil, que naquela época, vendia até em bar. Além do mais, eu era muito mimada quando ficava doente. Minha mãe fazia comidinhas gostosas, com direiro à batata frita, bolo de cenoura e bolachinha de nata. Eventualmente, eu também ganhava presentinhos, principalmente livros para me distrair.

 Por falar em bolachinhas de nata, devo dizer que eu era uma frescura só para comer. Cheguei a tomar Biotônico Fontoura e Sustagen por conta disso. Minha mãe, coitada, se desdobrava para cozinhar coisas que eu comesse. Eu também tinha gostos estranhos e minha mãe conta três histórias a esse respeito. A primeira foi de uma vez que ela foi pegar o potinho com as tais bolachinhas de nata, quando viu que eu havia comido todas as bolachas, deixando apenas o centro, que era onde ficava a goiabada. Outro caso parecido foi a vez que eu comi o recheio de todas as bolachas Passatempo, deixando o resto no potinho. Por último, conta minha mãe que eu comia caldo Knorr, aquele de cubinhos, puro! Quando ela ia cozinhar, via minha mordida nos cubos. Que trabalhão, hein?

 Apesar dessas peripécias, eu fui uma criança muito quieta e comportada. Acredito que eu não tenha dado muito trabalho, pelo menos não em relação a essas coisas. Eu aprontava muito pouco, gostava muito de ficar na minha, lendo meus livros, escutando as conversas dos adultos ou assistindo televisão. Eu amava TV, como vocês podem ver. Quase toda tarde, eu e minha mãe assistíamos aos filmes da Sessão da Tarde. Ela jogava um colchão no chão da sala e nós duas nos enfiávamos debaixo de um cobertor comendo pipoca ou bolinho de chuva e assistindo a mais um reprise de Lagoa Azul. Também falei sobre os livros, que me foram introduzidos pela minha mãe também, que lia os meus primeiros exemplares antes de eu ser alfabetizada.

 Todas essas lembranças têm algo em comum. Não é a comida, nem a televisão, nem os livros. É minha mãe. Ela esteve presente na maioria dos melhores momentos da minha infância. Inevitavelmente sua presença na minha vida tende a diminuir. Em tempo, em espaço, mas de certa forma, ela sempre está comigo. Ela está no meu jeito de ser, ela está na pessoa que eu sou. Somos muito diferentes, sim, mas ela é uma grande responsável pela pessoa que sou hoje. Se sou uma boa aluna, é também porque ela se sentava comigo e me ajudava com o dever de casa, porque ela participava de cada evento da escola, e me parabenizava por cada nota boa e me dava bronca por cada nota ruim. Se gosto de ler, é também porque ela lia para mim e me presenteava com livros.

 Se eu tive uma infância maravilhosa, é também porque ela estava lá, seja cozinhando, me deixando ajudar a enrolar os brigadeiros, ou me ensinando a lavar louça. Seja assistindo os filmes da Sessão da Tarde enrolada nas cobertas, seja me cobrindo antes de dormir e fazendo "ui, ui, ui" (só nós sabemos o que é isso, ok?) para me esquentar. Seja me levando para tomar sorvete depois do dentista, ou me deixando comprar mais um Pokémon. Seja me ajudando a juntar tampinhas de Coca-Cola para trocar por mais um brinde, seja insistindo para que eu fosse no supermercado para ela, afinal eu tinha que me livrar dessa timidez. Seja me buscando na escola, ou suportando meu mau humor matinal ou ainda as chatíssimas reuniões de pais e mestres. Seja recebendo minhas amigas tão bem que elas não queriam sair daqui de casa, seja fazendo a melhor lasanha do mundo.

 Obrigada, mãe.


05/05/13

DIY: Ímãs de Tampinha

 Já comentei aqui no blog que uma das minhas maiores frustrações é não ter habilidades manuais. Só não digo que tenho duas mãos esquerdas porque minha mão esquerda bate todos os recordes de descoordenação. Isso me incomoda tanto porque me dificulta fazer coisas simples do dia a dia, como cozinhar e até mesmo mexer nas vidrarias de laboratório nas aulas práticas da faculdade. Além do mais, essa falta de coordenação motora me impede de tentar alguns dos tantos DIYs maravilhosos que encontramos na Internet, especialmente no tal do Pinterest.

 Quem aí já quis repaginar um móvel, fazer uma almofada ou um cupcake e foi impedido pela falta de habilidade? Bem vindo ao clube, amigo. O que eu faço para resolver parte da minha frustração é investir em projetos fáceis e simples. Não adianta querer reformar uma cômoda do nada. Mesmo as pessoas mais habilidosas sentirão dificuldade se não tiverem prática. Comece aos poucos, como eu, fazendo uma ou outra coisa que tome pouco tempo, exija pouca habilidade e coordenação e também materiais simples, fáceis de achar, daqueles que a gente tem em casa. Afinal, você não quer comprar uma pistola de cola quente para usar uma vez e esquecer na gaveta, não é?

 Os dois projetinhos de DIY que eu postei aqui no blog têm essas características. O primeiro foi um organizador de origami que só exige papel e alguma boa vontade. O segundo foi um pouco mais complicado, um mousepad de tecido, cujas instruções achei na Internet e adaptei para o que eu tinha em casa. Esses projetos têm algo em comum: reaproveitam materiais, ou seja, a matéria prima pode ser um pedaço de papel, um retalho de tecido ou um mousepad velho que iriam para o lixo. Não vou fazer discurso ambientalista aqui, vocês sabem que reduzir nosso lixo é bacana.

 O projeto de hoje também tem todas essas características: é simples e rápido; não exige muita habilidade; reutiliza algo que iria para o lixo e não são necessários materiais mirabolantes, dá para fazer com o que tem em casa. Além disso, fica super charmoso. Como o título do post já contou, o DIY de hoje são ímãs feitos com tampinha de garrafa de vidro.



Materiais
  • tampinhas de garrafa de vidro de refrigerante, cerveja e até leite de coco;
  • ímãs (tipo esses);
  • cola que pode ser tipo SuperBonder ou cola quente.

Passo a Passo?
 Acho que nem precisa de PAP, já que é bastante simples. Basta colar o ímã no verso da tampinha. Às vezes, seu ímã pode ser pequeno demais para a profundidade da tampinha, sendo necessário colocar alguma coisa entre eles, para que o ímã fique na altura certa. Daí, você inventa alguma coisa. Pode usar durepóxi, por exemplo.

 No meu caso, eu usei tampinhas de refrigerante da Coca-Cola e da Itubaína Retrô e gostei do resultado, mas você pode pintá-las ou usar adesivos. Também já vi alguns DIYs em que a tampinha foi usada ao contrário e o interior foi pintado ou adesivado. No Pinterest, você encontra ideias muito bacanas, basta buscar por bottle cap magnets. O mesmo no Google Imagens.

30/04/13

Resumão: Abril 2013

 Já comentei por aqui que abril é um mês problemático para mim em termos de produtividade, especialmente por causa das mudanças de temperatura e consequentes gripes e resfriados. Apesar disso, e contrariando todas as minhas expectativas, consegui manter uma certa frequência de postagens. Não que eu tenha conseguido que elas fossem bem distribuídas ao longo do mês - o que raramente acontece - mas consegui postar um número razoável de vezes. Não estou me sentindo culpada porque a faculdade tem exigido - como sempre - muito de mim e esse mês adquiri uma nova responsabilidade: me tornei colaboradora na Revista 21. Claro que se vocês leram os últimos posts ou me seguem nas redes sociais, já sabem disso. Se quiserem ler meus textos por lá, é só clicar aqui, mas eu recomendo devorar a revista inteira e adicionar aos feeds para não perder nada.

 Também já disse por aqui que finalmente terminei a "revisão" de tags que estava fazendo por aqui. Sempre tive problemas em determinar quais seriam as tags do blog e acabei com mais delas do que precisava. Há alguns meses, peguei um papel e escrevi nela todas as tags que gostaria de manter e criar e passei a visitar post por post editando-as. Consegui diminuir razoavelmente a nuvem de tags e fiquei satisfeita com o resultado e, principalmente, por finalmente terminar algo que vinha se arrastando por meses. Nesse mês, também programei atualizações (quase) diárias para nossa página no Facebook, mas me desanimei um pouco. O alcance dessas publicações é pequeno graças à ambição de nosso amigo Mark Zuckerberg que quer que paguemos para que as publicações apareçam nos seus feeds. Acho que se vocês quiserem mesmo acompanhar as atualizações do Sem Formol pelo Facebook, não basta curtir a página, é necessário adicioná-lo a suas listas de interesse. Enfim, corrijam-me se eu estiver errada.

 Em termos de posts por aqui, rolou um pouco de tudo. Comecei com um post sobre intolerância, discriminação e preconceito, temas que estavam muito em pauta no começo do mês por conta das declarações de vocês-sabem-quem; depois publiquei um meme, grandes salvadores para crises de criatividade; acabei fazendo um post tipo "querido diário"; e acabei por falar algumas coisas sobre meio ambiente e greenwashing que eu achei pertinentes. Espero que vocês tenham gostado e, como sempre, espero opiniões e sugestões. Até maio!

22/04/13

Não, não salve o planeta

Hoje é Dia da Terra. Muita gente - incluindo eu - não saberia disso não fosse pelo doodle do Google ou pelas publicações de fan-pages de grandes empresas no Facebook. Nessas oportunidades (dia da Terra, da água, do meio ambiente...), várias empresas aproveitam seus espaços na Internet (e algumas vezes na TV) para propagar mensagens de suposta conscientização ambiental, carregadas de clichês como "salve o planeta", "recicle" e "feche a torneira enquanto escova os dentes". Me incomoda muito ver empresas que notadamente não têm nenhum programa ambiental considerável fazerem esse tipo de discurso. Não passa de greenwashing. A preocupação com o meio ambiente, em geral, não faz parte das pautas de discussão dentro da empresa, que só quer que seu departamento de marketing passe a melhor imagem possível, mesmo que ela não corresponda à realidade.

Greenwashing, além de uma falta de respeito com o consumidor (porque engana e subestima nossa inteligência), é bastante problemático porque ajuda a propagar ideias erradas. Dizem que uma mentira quando dita muitas vezes se torna de verdade. É assim com algumas “verdades universais” tais como o primeiro clichê citado nesse texto, o tal do “salve o planeta”. No Dia da Terra, o que mais tenho visto é essa frase compartilhada pelos quatro cantos da Internet como se fosse grande coisa, como se resumisse toda a problemática ambiental.

Não, não é por aí. Esse conceito está redondamente errado. Não é o planeta que deve ser salvo, ou protegido. É a espécie humana (e não raça) que está em risco, é a vida como conhecemos hoje, são os ecossistemas. Os riscos ao que o planeta Terra está sujeito estão fora da nossa alçada, nada podemos fazer contra eles. Quando falamos em meio ambiente, não falamos do planeta, falamos de parte dele.

Nossa noção de meio ambiente também é muito equivocada e isso se deve também, em parte, ao greenwashing. Sempre que se fala em meio ambiente, usa-se verde, imagens de plantas, florestas, rios e lagos. Assim, nossa noção é de que é algo distante de nós, da nossa realidade, principalmente se vivemos na área urbana. Nos esquecemos de que nossas cidades também são parte do meio ambiente e que, principalmente, nós também estamos incluídos. Não somos meros espectadores, somos parte do processo, impactamos e sofremos os impactos.

Tratar das questões ambientais não quer dizer, de forma alguma, “salvar o planeta”. É muito mais do que isso, tem a ver com a nossa qualidade de vida e o não encurtamento da nossa existência. Pode parecer pessimismo, mas precisamos encarar que a espécie humana, bem como outras espécies, será extinta e nossos impactos podem ser tão grandes a ponto de adiantar esse processo.

Por isso, as questões ambientais não podem ser tratadas com tanto desprezo e falta de informação.  O greenwashing deve ser combatido e o assunto deve ser abordado por quem entende dele. Conscientizar, sim, mas conscientizar de verdade. Educação ambiental, sim, mas sem se valer de clichês fora da realidade e sem disseminar ideias tortas.

São Paulo/SP - Crédito: Fernando Stankuns

21/04/13

Abril, Atchim e Amor

 Fazia tempo que eu não tinha semanas como essas. Eu sei que abril é um mês complicado (para mim). Sempre volto preguiçosa e culpada do feriado da páscoa, além de estar sempre cheia de coisas para fazer e começar a tal da época de provas. A gripe e as mudanças de temperatura também agravam esse quadro. Esse ano, porém, eu esperava que as coisas fossem um pouco diferentes. A semana santa foi em março e eu tenho uma só prova em abril. No ano passado, estive surpreendentemente resistente e fiquei gripada somente uma vez no ano todo e esperava que esse ano fosse, no mínimo, igual nesse sentido. Qual o quê!

 Começando pelo quesito saúde, minha nota para esse mês está beirando um redondo zero. Não fico completamente saudável desde o início da semana santa, emendo uma gripe num resfriado, um resfriado numa gripe, e nem sei dizer quantas vezes fiquei doente, ou se foram apenas duas gripes (muito) fortes. Duas porque entre um quadro de gripe e outro rolou uma crise alérgica bastante incômoda mas cujas consequências, felizmente, não passaram de minar ainda mais a minha produtividade.

 A principal consequência disso tudo é uma falta de produtividade que tem me incomodado muito. Tenho conseguido cumprir boa parte das minhas responsabilidades, mas não tudo. E também tenho me "autossabotado", procrastinando coisas sob a desculpa de precisar descansar e comendo besteiras sob a justificativa de estar doente e merecer uma comfort food.

 Nisso, passaram-se dois terços do mês e não fiz quase nada do que tinha planejado (assim como no Vida Organizada, eu faço checklists mensais), não comecei nenhum livro novo (minha intenção era ler, pelo menos, um livro por mês em 2013) e mal postei no blog. Por outro lado, terminei a "revisão de tags" que eu estava fazendo aqui e que já durava meses; consegui me encontrar com a Tety duas vezes; li quatro revistas; e escrevi quatro textos para a Revista 21. Isso mesmo, gente! Vocês sabem o quanto eu adoro o projeto das meninas e o quanto eu me identifico com a revista. Como elas estavam à procura de colaboradoras, eu me voluntariei e já enviei algumas matérias. Duas delas já foram publicadas, 10 dicas para acordar cedo e bem e 10 coisas para fazer em 15 minutos para uma vida mais organizada. Nem preciso dizer o quanto estou gostando da experiência, não é? Mesmo no auge da minha falta de produtividade, sentei a bunda na cadeira e me dediquei aos textos para lá. Isso é que é amor.

 Mas não pensem que isso significa que tem faltado amor no blog, ou em qualquer outra área da minha vida. Acho que tem faltado motivação e ânimo e pretendo reencontrá-los. Saúde também cairia bem. Torçam por mim e para que eu volte ao meu normal logo. Se quiserem sugerir pautas para futuros textos meus na 21 (estou escrevendo principalmente sobre organização) ou assuntos para futuros posts aqui, por favor, o façam!

15/04/13

Meme: Dez Coisas que eu Odeio

 Eu acho a palavra ódio muito forte e, na maioria das vezes em que a emprego, sinto que estou fazendo mau uso dela. Em geral, se digo que odeio algo, é porque eu não simplesmente desgosto daquela coisa, mas ela também me incomoda em certo nível. Quero dizer, se digo que odeio funk não é porque eu de fato odeie funk, é simplesmente porque as músicas me incomodam. Nesse caso, por conta das letras recheadas de sexismo, mas não por causa do ritmo musical em si. Entendem o que eu digo?

 Acho que eu tenho me tornado uma pessoa cada vez mais tolerante e aberta e isso tem me feito muito bem. Assim, acho que a palavra ódio tem cada vez mais perdido espaço na minha vida. Inclusive, eu tenho tentado me focar mais nas coisas que amo do que naquelas que me incomodam, mas não resisti quando encontrei esse meme no blog da Del. A ideia é simples: basta listar dez coisas que você odeie. Ou que te incomodam, irritam e até mesmo tiram do sério.

 Eu escolhi dez coisas aleatórias, conforme fui me lembrando delas. Os números são só para ter controle, mas não indicam um ranking ou coisa assim. Até porque não sei se eu conseguiria colocá-las em uma ordem que fizesse sentido e acredito que tem itens aqui que eu não "odeio" tanto quanto coisas que eu me esqueci de listar. Mas, sem mais delongas, porque tem gente que odeia post comprido, aqui estão dez coisas que eu odeio:

01 Intolerância e discriminação
Eu disse que não iria rankear, mas tinha que colocar esse em primeiro lugar porque é, sem dúvidas, umas das coisas que eu mais odeio no mundo. O último post do blog foi sobre esse assunto, inclusive, e acho que não preciso adicionar nada aqui.

02 Machismo
Eu sei que machismo está incluído no item anterior, mas tive que destacá-lo. De todos os tipos de intolerância e discriminação, o machismo é, sem dúvidas, o que mais me afeta diretamente.

03 Ônibus
Eu ando muito de ônibus, calculo que umas 8,5 horas por semana. Não me incomodo muito de ter que pegar ônibus para a faculdade, apesar dos horários ruins e da superlotação, até porque minha situação está longe das piores. O ônibus que pegamos é gratuito e da própria faculdade, tem muitos defeitos, mas funciona bem e é muito melhor do que depender do transporte público. Meu problema é mesmo com os ônibus que pego para ir para São Joaquim e voltar para São Carlos nos finais de semana. Tenho que fazer baldeação em Ribeirão Preto, o que é uma chateação sem fim. Os horários das empresas das quais dependo raramente batem e das duas uma: ou eu apronto uma correria e corro o risco de perder o ônibus, ou eu fico esperando na rodoviária de RP. Além disso, uma das empresas, a Viação São Bento é uma das piores que já vi na vida. Eles são desorganizados, os atendentes te tratam muito mal, os motoristas atrasam e os ônibus são ora velhos demais ora pequenos demais. Já passei muito perrengue por conta da São Bento e não poderia ser diferente: só de ver o logotipo, eu já me irrito. (Isso sem contar que eu gasto quase 1/4 do dinheiro que meus pais me dão só com passagem de ônibus.)

04 Que não respondam minhas mensagens
Se eu mandei uma mensagem, seja no celular, seja no Facebook, seja onde/como for, eu espero uma resposta. Isso é óbvio. Também me incomodo muitíssimo de ligar para alguém repetidas vezes e não ser atendida, o que nos leva para o item 5...

05 Telefone
Quem me vê com o smartphone nas mãos o tempo todo deve ter estranhado esse item. O fato é que celular e telefone hoje são coisas diferentes. Ou melhor: o telefone é apenas um aspecto do celular, que incorpora tantas outras funções. O fato é que não tenho problema com e-mails, mensagens de texto e coisas do gênero, mas odeio falar ao telefone. Se puder resolver algo escrevendo, eu o faço. A princípio, minha birra com os telefones era pura timidez. Mas o tempo passou e, como cresci antes da popularização dos celulares e das mensagens de texto, fiz muitas ligações telefônicas na minha infância e adolescência, o suficiente para que esse problema fosse parcialmente resolvido. Hoje eu já não sei, mas é muito o que a Anna disse na sua anti-ode aos telefones. A Del também inclui o bonito na sua lista de dez coisas odiadas e isso me conforta: eu não sou a única.

06 Ligar para SAC ou assistência técnica
Se eu odeio falar no telefone, imaginem então ligar em SAC ou assistência técnica. Aliás, acho que todo mundo odeia fazer isso. Na imensa maioria dos casos, o atendimento é péssimo, perdemos muito tempo e acabamos estressados quando não com o problema não resolvido.

07 Que tentem me impor sua religião (ou seus preceitos religiosos)
Acho um desrespeito gigantesco quando alguém quer impor sua religião a outras pessoas. Uma coisa é ser amigável, falar do que acredita, convidar as pessoas a visitarem sua igreja. Outra coisa bem diferente é ser insistente, fazer mil convites, te abordar na sua casa, fazer sermão (com o perdão do trocadilho) e te coagir. Às vezes me parece que não importam os meios, só importam os fins.
Também me incomoda muito a imposição de preceitos religiosos. Quero dizer, você segue aquela religião, você se propôs a obedecer àquela série de dogmas, etc etc. As outras pessoas não! É o caso tão em pauta ultimamente: o casamento civil homossexual. CIVIL. Ninguém forçará as igrejas a celebrar casamentos entre gays. Por conta de preceitos religiosos, querem impedir uma parcela da população de ter seu direito garantido por lei. No meu ver, seria o mesmo de baixarem uma lei proibindo o sexo antes do casamento só porque as igrejas condenam.

08 Que mandem eu me acalmar
Nada é pior do que dizer a alguém que está nervoso para se acalmar. Se fosse assim tão simples, a pessoa estaria calma, porra! (Olha a exaltação!) Eu sou uma pessoa ansiosa, nervosa e até um tanto agressiva (embora possa não parecer). São defeitos com os quais eu tenho certa dificuldade de lidar e posso dizer que um dos meus maiores desejos da vida seria ser mais calma. Por isso, quando notam meu nervosismo e ansiedade e me dizem para ficar calma, o efeito é totalmente o contrário: eu fico ainda pior.

09 Erros de português
Sou daquelas que perde a cabeça com erros de português. Mas calma, não sou desses nazi-gramatiqueiros que não aceitam uma vírgula fora do lugar, um ç no lugar de ss. Até porque eu também cometo erros. Tenho meu grau de tolerância: erros de gramática não me incomodam tanto, ao menos que sejam grosseiros, como uma vírgula entre sujeito e predicado numa oração simples. Minha implicância maior é com erros de ortografia. Perdoo se a palavra foi muito complicada, daquelas que não usamos com frequência, ou se tiver sido vítima da reforma ortográfica, como "perdoo". Mas ainda assim eu me pergunto "qual a dificuldade da pessoa em checar no Google a grafia da tal palavra?" Acho que nem preciso falar aqui de quem sabe escrever certo e escreve errado de propósito. Não no caso em que a grafia errada tem um sentido linguístico, mas no caso desses adolescentes que escrevem em "miguxês" e derivados.

10 Gripe de começo de outono
Todo ano é a mesma coisa: fico gripada entre março e abril. Na maioria das vezes, emendo uma gripe na outra e passo quase dois meses doente. Além dos sintomas serem bastante incômodos, odeio a forma como a minha produtividade cai. Outro agravante é o fato de eu ter uma semana de folga (a Semana Santa) justamente nessa época e não conseguir aproveitar direito.

Porque é impossível ler o título desse post e não lembrar de "Dez Coisas que eu Odeio em Você"