Eu acho a palavra ódio muito forte e, na maioria das vezes em que a emprego, sinto que estou fazendo mau uso dela. Em geral, se digo que odeio algo, é porque eu não simplesmente desgosto daquela coisa, mas ela também me incomoda em certo nível. Quero dizer, se digo que odeio funk não é porque eu de fato odeie funk, é simplesmente porque as músicas me incomodam. Nesse caso, por conta das letras recheadas de sexismo, mas não por causa do ritmo musical em si. Entendem o que eu digo?
Acho que eu tenho me tornado uma pessoa cada vez mais tolerante e aberta e isso tem me feito muito bem. Assim, acho que a palavra ódio tem cada vez mais perdido espaço na minha vida. Inclusive, eu tenho tentado me focar mais nas coisas que amo do que naquelas que me incomodam, mas não resisti quando encontrei
esse meme no blog da Del. A ideia é simples: basta listar dez coisas que você odeie. Ou que te incomodam, irritam e até mesmo tiram do sério.
Eu escolhi dez coisas aleatórias, conforme fui me lembrando delas. Os números são só para ter controle, mas não indicam um ranking ou coisa assim. Até porque não sei se eu conseguiria colocá-las em uma ordem que fizesse sentido e acredito que tem itens aqui que eu não "odeio" tanto quanto coisas que eu me esqueci de listar. Mas, sem mais delongas, porque tem gente que odeia post comprido, aqui estão dez coisas que eu odeio:
01 Intolerância e discriminação
Eu disse que não iria
rankear, mas tinha que colocar esse em primeiro lugar porque é, sem dúvidas, umas das coisas que eu mais odeio no mundo.
O último post do blog foi sobre esse assunto, inclusive, e acho que não preciso adicionar nada aqui.
02 Machismo
Eu sei que machismo está incluído no item anterior, mas tive que destacá-lo. De todos os tipos de intolerância e discriminação, o machismo é, sem dúvidas, o que mais me afeta diretamente.
03 Ônibus
Eu ando muito de ônibus, calculo que umas 8,5 horas por semana. Não me incomodo muito de ter que pegar ônibus para a faculdade, apesar dos horários ruins e da superlotação, até porque minha situação está longe das piores. O ônibus que pegamos é gratuito e da própria faculdade, tem muitos defeitos, mas funciona bem e é muito melhor do que depender do transporte público. Meu problema é mesmo com os ônibus que pego para ir para São Joaquim e voltar para São Carlos nos finais de semana. Tenho que fazer baldeação em Ribeirão Preto, o que é uma chateação sem fim. Os horários das empresas das quais dependo raramente batem e das duas uma: ou eu apronto uma correria e corro o risco de perder o ônibus, ou eu fico esperando na rodoviária de RP. Além disso, uma das empresas, a Viação São Bento é uma das piores que já vi na vida. Eles são desorganizados, os atendentes te tratam muito mal, os motoristas atrasam e os ônibus são ora velhos demais ora pequenos demais. Já passei muito perrengue por conta da São Bento e não poderia ser diferente: só de ver o logotipo, eu já me irrito. (Isso sem contar que eu gasto quase 1/4 do dinheiro que meus pais me dão só com passagem de ônibus.)
04 Que não respondam minhas mensagens
Se eu mandei uma mensagem, seja no celular, seja no Facebook, seja onde/como for, eu espero uma resposta. Isso é óbvio. Também me incomodo muitíssimo de ligar para alguém repetidas vezes e não ser atendida, o que nos leva para o item 5...
05 Telefone
Quem me vê com o smartphone nas mãos o tempo todo deve ter estranhado esse item. O fato é que celular e telefone hoje são coisas diferentes. Ou melhor: o telefone é apenas um aspecto do celular, que incorpora tantas outras funções. O fato é que não tenho problema com e-mails, mensagens de texto e coisas do gênero, mas odeio falar ao telefone. Se puder resolver algo escrevendo, eu o faço. A princípio, minha birra com os telefones era pura timidez. Mas o tempo passou e, como cresci antes da popularização dos celulares e das mensagens de texto, fiz muitas ligações telefônicas na minha infância e adolescência, o suficiente para que esse problema fosse parcialmente resolvido. Hoje eu já não sei, mas é muito o que a Anna disse na sua
anti-ode aos telefones. A Del também inclui o bonito na sua lista de
dez coisas odiadas e isso me conforta: eu não sou a única.
06 Ligar para SAC ou assistência técnica
Se eu odeio falar no telefone, imaginem então ligar em SAC ou assistência técnica. Aliás, acho que todo mundo odeia fazer isso. Na imensa maioria dos casos, o atendimento é péssimo, perdemos muito tempo e acabamos estressados quando não com o problema não resolvido.
07 Que tentem me impor sua religião (ou seus preceitos religiosos)
Acho um desrespeito gigantesco quando alguém quer impor sua religião a outras pessoas. Uma coisa é ser amigável, falar do que acredita, convidar as pessoas a visitarem sua igreja. Outra coisa bem diferente é ser insistente, fazer mil convites, te abordar na sua casa, fazer sermão (com o perdão do trocadilho) e te coagir. Às vezes me parece que não importam os meios, só importam os fins.
Também me incomoda muito a imposição de preceitos religiosos. Quero dizer, você segue aquela religião, você se propôs a obedecer àquela série de dogmas, etc etc. As outras pessoas não! É o caso tão em pauta ultimamente: o casamento civil homossexual. CIVIL. Ninguém forçará as igrejas a celebrar casamentos entre gays. Por conta de preceitos religiosos, querem impedir uma parcela da população de ter seu direito garantido por lei. No meu ver, seria o mesmo de baixarem uma lei proibindo o sexo antes do casamento só porque as igrejas condenam.
08 Que mandem eu me acalmar
Nada é pior do que dizer a alguém que está nervoso para se acalmar. Se fosse assim tão simples, a pessoa estaria calma, porra! (Olha a exaltação!) Eu sou uma pessoa ansiosa, nervosa e até um tanto agressiva (embora possa não parecer). São defeitos com os quais eu tenho certa dificuldade de lidar e posso dizer que um dos meus maiores desejos da vida seria ser mais calma. Por isso, quando notam meu nervosismo e ansiedade e me dizem para ficar calma, o efeito é totalmente o contrário: eu fico ainda pior.
09 Erros de português
Sou daquelas que perde a cabeça com erros de português. Mas calma, não sou desses nazi-gramatiqueiros que não aceitam uma vírgula fora do lugar, um ç no lugar de ss. Até porque eu também cometo erros. Tenho meu grau de tolerância: erros de gramática não me incomodam tanto, ao menos que sejam grosseiros, como uma vírgula entre sujeito e predicado numa oração simples. Minha implicância maior é com erros de ortografia. Perdoo se a palavra foi muito complicada, daquelas que não usamos com frequência, ou se tiver sido vítima da reforma ortográfica, como "perdoo". Mas ainda assim eu me pergunto "qual a dificuldade da pessoa em checar no Google a grafia da tal palavra?" Acho que nem preciso falar aqui de quem sabe escrever certo e escreve errado de propósito. Não no caso em que a grafia errada tem um sentido linguístico, mas no caso desses adolescentes que escrevem em "miguxês" e derivados.
10 Gripe de começo de outono
Todo ano é a mesma coisa: fico gripada entre março e abril. Na maioria das vezes, emendo uma gripe na outra e passo quase dois meses doente. Além dos sintomas serem bastante incômodos, odeio a forma como a minha produtividade cai. Outro agravante é o fato de eu ter uma semana de folga (a Semana Santa) justamente nessa época e não conseguir aproveitar direito.